A transição ecológica não é um evento isolado, mas um fluxo contínuo que conecta serras, sertões e mares. Assim como as águas que descem da Serra de Baturité alimentam os rios e chegam aos manguezais da costa, o Instituto Ybirá constrói pontes entre biomas, povos e políticas globais. Em 2025, demos um passo decisivo ao consolidar a parceria com os Povos Originários, em especial o povo Karão Jaguaribaras, unindo ciência acadêmica e sabedoria ancestral para proteger um corredor vital que integra a serra, o sertão e o oceano.

Um mosaico de proteção

Nosso trabalho se ancora nos Planos de Manejo das Unidades de Conservação, que orientam o uso sustentável e a recuperação de áreas estratégicas:

  • APA da Serra de Baturité: protege remanescentes da Mata Atlântica e as nascentes que abastecem bacias hidrográficas. O plano de gestão define zoneamento ambiental, recuperação de áreas degradadas e proteção de espécies ameaçadas.
  • UCs dos Rios Ceará, Pacoti e Maranguapinho: em processo de consolidação, seguem diretrizes do SNUC e priorizam a proteção das matas ciliares e dos manguezais, fundamentais para a reprodução marinha e para conter a poluição plástica que sufoca nossos oceanos.

Esses territórios não são ilhas isoladas, mas sistemas integrados onde a vida transita e se renova.

Espécies que nos inspiram

A Serra de Baturité abriga uma riqueza única, com espécies que precisam de atenção urgente:

  • Pintor-da-serra (Tangara cyanocephala cearensis) – ave criticamente ameaçada, exclusiva da região.
  • Uru (Odontophorus capoeira) – ave florestal em declínio pela perda de habitat.
  • Araponga-do-nordeste (Procnias averano) – conhecida pelo canto metálico, hoje rara.
  • Sapo-de-cascon (Rhinella casconi) – anfíbio endêmico em risco crítico.
  • Adenophaedra cearensis – planta rara e ameaçada.
  • Cattleya labiata – orquídea símbolo da Mata Atlântica, que estamos cultivando e protegendo em programas de conservação.

Nos manguezais, espécies como o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), o aratu (Aratus pisonii) e o guaiamum (Cardisoma guanhumi) enfrentam pressões da poluição plástica e da pesca predatória.

O oceano começa aqui

Na Década do Oceano (ONU), nossas ações se alinham aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e o ODS 14 (Vida na Água). Combatemos a poluição plástica na fonte, fomentando alternativas econômicas como a agrofloresta e o extrativismo responsável, e fortalecendo a economia circular para transformar resíduos em dignidade e renda. Estamos integrando ao nosso trabalho o Projeto Limpando o Mundo Ceará, onde já tem uma história consolidada e com resultados exitosos. 

Rigor jurídico e governança

Nossas ações são guiadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, e por tratados internacionais como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a CITES, que regulam o comércio de espécies ameaçadas. Também nos alinhamos ao Tratado Global contra a Poluição Plástica, em negociação na ONU, reforçando que a luta local é parte de um esforço planetário.

Povos originários no centro da estratégia

Com os Karão Jaguaribaras aprendemos que a gestão da terra e da água é indivisível. Ao proteger o topo da serra e as matas ciliares dos rios, garantimos que águas limpas cheguem aos manguezais e ao oceano. Esse Grande Corredor de Povos e Territórios é nossa resposta à crise climática: integrar conhecimento ancestral à conservação é o caminho para uma sociedade mais justa e para um planeta onde a diversidade da vida possa prosperar.

Serra de Baturité

Litoral Ceará

Conforme avança para o meio do artigo, este parágrafo oferece a oportunidade de conectar as ideias anteriores com novas perspectivas. Use este espaço para apresentar perspectivas alternativas ou abordar possíveis perguntas que os leitores possam ter. Encontre um equilíbrio entre profundidade e facilidade de leitura, garantindo que a informação seja compreensível. Esta seção também pode servir como uma transição para os pontos de conclusão, mantendo o impulso enquanto conduz a discussão para seus estágios finais.